História da Música na 1ª Republica.

A música brasileira girou em torno de muitos eixos no período que envolveu a primeira República, entre eles: 

Em torno da Belle Époque

O significado atribuído à Belle Époque, período entre o final do século XIX e a Primeira guerra Mundial, e ao seu intelectual típico pode ser visto como um ponto chave para a compreensão das avaliações sobre a Primeira república. Em produções acadêmicas e didáticas foi constantemente divulgada a idéia de que nos primeiros tempos republicanos a busca pela modernidade européia – representada pela expressão Belle Époque – norteou a ação e o pensamento das elites intelectualizadas e dirigentes do período, ávidas pela modernidade e pelo progresso, essas elites teriam se voltado para os valores externos e investido na europeização dos costumes, das cidades e dos estilos artísticos, assim como teriam buscado caminhos de branqueamento da população e das práticas culturais. A avenida central no rio de Janeiro foi considerada o símbolo máximo da Belle Époque.

Em torno do nacional

A visão de ruptura com o passado cultural da Primeira república é bem nítida nas obras de intelectuais que procuram analisar o universo musical intelectual a partir das décadas de 1920 e 1930, como renato almeida e Mário de andrade. Esses autores, lideranças do modernismo de 1922, procuraram construir historias da música brasileira e marcaram a fase em que viviam como “despertar de uma música brasileira”, no caso de renato almeida, e “período nacionalista”, no caso de Mário. O marco do nacionalismo musical, diretamente associado à tomada de consciência do compositor em relação ao que entendiam como o correto aproveitamento das fontes folclóricas do “povo brasileiro”, se tornaria o elemento de avaliação e balança de todas as músicas e músicos do passado e do presente. Evidentemente, os músicos intelectuais da Primeira república foram enquadrados no perfil das produções da Belle Époque. Mário de Andrade, em Música no Brasil, de 1941, reconheceu que Alexandre Levy e Alberto Nepomuceno, entre o final do século XIX e início do XX, tentaram a nacionalização musical por meio da temática popular. Mas de forma deficiente. Foram mesmo profetas do que viria depois, formando, nas palavras de Mário, o “tronco tradicional da árvore genealógica da nacionalidade musical brasileira”

Em torno do exotismo

A construção da nação através de uma música que expressasse os sons do povo brasileiro e as vozes da terra, na década de 1920, envolveu não só uma oposição ao que se definia como gosto europeu, mas também aos limites e distorções de uma música qualificada como regional ou exótica. A qualificação de exotismo musical (ou música exótica) tornou-se, desde então, outro atributo de hierarquização de músicas e músicos que não
alcançaram o espírito do nacionalismo defendido pelos críticos modernos de 1922.
De acordo com arnaldo contier, o chamado exotismo era criticado pelos modernistas nacionalistas, pois poderia implodir a singularidade da sonhada nação brasileira. A utilização de elementos da cultura negra, por exemplo, numa obra musical, poderia representar a áfrica, e, consequentemente, outra nação. Poderia tornar-se um corpo estranho à brasilidade ou algo estereotipado, como a presença indígena em certas músicas parecia
indicar. Inclusive o exotismo chegou a ser visto como algo perigoso, pelas ameaças à integridade da nação. Pouco consistente teoricamente, o exotismo – assim como o regionalismo – foi usado de uma forma subjetiva e política, pelos chamados modernistas de 1922, como uma espécie de acusação de falso nacionalismo para expressões musicais do passado. No fundo, considerar exótica uma determinada obra musical ou um músico parece mais uma desqualificação para o que se entendia nos primeiros tempos republicanos como coisas “nacionais” e “populares”.

Fonte:http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF22/abreu.pdf (modificado)

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